Lixo reciclado

A produção de resíduos é inerente à condição humana e inexorável.

A lata de lixo não é um desintegrador mágico de máteria!

O lixo continua existindo depois que o jogamos na lixeira. Não há como não produzir lixo, mas podemos diminuir essa produção. Como? Reduzindo o desperdício, reutilizando sempre que possível e separando os materiais recicláveis para a coleta seletiva.

A coleta seletiva é uma alternativa ecologicamente correta que desvia, do destino em aterros sanitários ou lixões, resíduos sólidos que poderiam ser reciclados. Com isso, alguns objetivos importantes são alcançados: a vida útil dos aterros sanitários é prolongada e o meio ambiente é menos contaminado. Além disso, o uso de matéria prima reciclável diminui a extração dos nossos tesouros naturais. Uma lata velha que se transforma em uma lata nova é muito melhor que uma lata a mais. E de lata em lata o planeta vai virando um lixão…

No Brasil existe coleta seletiva em cerca de 135 cidades, de acordo com o professor Sabetai Calderoni (autor do livro Os Bilhões Perdidos no lixo Ed. Humanitas). Na maior parte dos casos, a coleta é realizada pelos Catadores Cooperativados.

Sistemas de coleta seletiva podem ser implantados em uma escola, uma empresa ou um bairro. É muito importante pensar globalmente mas AGIR localmente!

Na verdade o indivíduo não recicla; quem recicla é a indústria. O que nós podemos fazer é preciclar e também separar o lixo para a reciclagem. Verifique antes qual vai ser a destinação mais próxima. Procure uma cooperativa de catadores em sua cidade ou postos de entrega voluntária.

Preciclar

Você sabe o que é preciclar? É muito simples! É pensar antes de comprar. 40% do que nós compramos é lixo.

São embalagens que, quase sempre, não nos servem para nada, que vão direto para o lixo aumentar os nossos restos imortais no planeta. Poderia ser diferente? Tudo sempre pode ser melhor. Pense no resíduo da sua compra antes de comprar. As vezes um produto um pouco mais caro tem uma embalagem aproveitável para outros fins.

Estes são os 3 R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar

Reduzir o desperdício, Reutilizar sempre que for possível antes de jogar fora, e Reciclar, ou melhor: separar para a reciclagem, pois, na verdade, o indivíduo não recicla (a não ser os artesãos de papel reciclado).

O termo reciclagem, tecnicamente falando, não corresponde ao uso que fazemos dessa palavra pois reciclar é transformar algo usado, em algo igual, só que novo. Por exemplo, uma lata de alumínio, pós consumo, é transformada, através de processo industrial, em uma lata nova. Quando transformamos uma coisa em outra coisa, isso é reutilização. O que nós, como indivíduos, podemos fazer, é praticar os dois primeiros R’s: reduzir e reutilizar. Quanto à reciclagem, o que nós devemos fazer é separar o lixo que produzimos e pesquisar as alternativas de destinação, ecologicamente corretas, mais próximas.

Pode ser uma cooperativa de catadores ou até uma instituição filantrópica que receba material reciclável para acumular e comercializar.

O importante é pensarmos sobre os 3 R’s procurando evitar o desperdício, reutilizar sempre que possível e, antes de mais nada, preciclar! Ou seja: Pensar antes de comprar. Pensar no resíduo que será gerado.

Evite embalagens plásticas: elas poderão ser transformadas em produtos plásticos reciclados. O vidro é totalmente reciclável e muito mais útil em termos de reutilização da embalagem.

Preciclar é pensar que a história das coisas não acaba quando as jogamos no lixo. Tampouco acaba a nossa responsabilidade!

Dicas para você separar o seu lixo para a coleta seletiva:

- Não é complicado, nem precisa separar por tipo de material pois, na maioria das cidades, a coleta dos materiais recicláveis é feita por um veículo que não tem separações. O material é separado e enfardado na cooperativa. Basta colocar uma lata de lixo a mais na sua cozinha e separar: em uma o lixo seco, e na outra lixo úmido.

- Lixo seco: papel, papelão, jornais, revistas, cadernos, folhas soltas, caixas e embalagens em geral, caixa de leite, caixas de papelão (desmontadas), metais (ferrosos e não ferrosos) latas em geral, alumínio, cobre, pequenas sucatas, copos de metal e de vidro, garrafas, potes e frascos de vidro (inteiros ou quebrados), plásticos (todos os tipos), garrafas PET, sacos e embalagens, brinquedos quebrados, utensílios domésticos quebrados.

- Lixo úmido: cascas de frutas e legumes (lixo compostável), restos de comida, papel de banheiro, sujeira de vassoura e de cinzeiro.

- Não recicláveis: papel higiênico, papel plastificado, papel de fax ou carbono, vidros planos, cerâmicas ou lâmpadas.

- Lembre-se que pilhas e baterias não podem ser descartadas no lixo doméstico, pois contém metais pesados e, quando molhadas, contaminam o meio ambiente. Ligue para o Serviço de Limpeza Pública de sua cidade para saber se há postos de entrega voluntária para pilhas e baterias.

E os materiais que não tem mercado? (pois é: tem materiais que certas cooperativas não recolhem porque não encontram mercado. Neste caso teremos de encontrar outra destinação.)

Então fica assim: uma lata menor com um saco de supermercado (reutilização!) para colocar o lixo que vai ser coletado pelo lixeiro. Lembre-se de só o colocar na rua nos dias e horários certos.

Outra lata, maior, para colocar apenas o lixo seco reciclável. Esta lata, provavelmente, será esvaziada uma vez por semana, na melhor das hipóteses, e, portanto, o material deve estar limpinho para não atrair insetos.

Se você assina um jornal deve produzir uma pilha de um metro, pelo menos, por mês. Vá juntando o lixo papel, bem como as embalagens de papelão, as perdas da impressora, etc…Revistas podem ser úteis na escola mais próxima. Latas de conserva são de ferro, e as de refrigerante e cerveja geralmente são de alumínio. Elas devem ser acumuladas limpas e sem rótulo. As de alumínio podem ser amassadas como uma sanfoninha, o que economizará espaço.

Quando as latas estiverem cheias dê o destino certo para cada uma: coloque o lixo úmido no horário e no dia certo da coleta convencional e o reciclável leve para a Cooperativa de Catadores de Lixo mais próxima.

Como implantar um projeto de coleta seletiva em minha escola, bairro ou cidade?

Este interesse pela coleta seletiva e reciclagem é muito importante!

Porém existem dois outros ítens igualmente importantes nessa cadeia que são a educação ambiental e a destinação. Sem que cada elo desta corrente seja previsto e planejado o sucesso da empreitada fica comprometido.

Na prática a sequência desta cadeia deve funcionar assim:

Educação ambiental – Coleta seletiva – Destinação – Reciclagem

Mas, em primeiro lugar, temos que pensar na destinação, pois não vai adiantar nada acumular materiais recicláveis em nosso quintal antes de saber que destino dar a esse material. (esta prática inclusive permite o acúmulo de água parada e a transmissão da dengue).

O comércio de recicláveis tem características fortes que, eventualmente, dificultam a implantação de coleta seletiva. Este comércio tem 4 exigências determinantes:

Os quatro fatores:

Quantidade, Qualidade, Freqüência e Forma de pagamento.

As indústrias recicladoras, principais compradores de matéria prima reciclável, só compram em grandes quantidades (mínimo 1 tonelada), material selecionado e enfardado; isso determina a qualidade. A indústria dá preferência a quem fornece sempre esse material: frequência. E a forma de pagamento constuma ser em 30 a 40 dias. As indústrias recicladoras são fábricas de vidro, de papel e papelão, de latas de alumínio e fábricas de sacos de lixo que reciclam alguns tipos de plástico.

Antes de começar a coletar precisamos mapear as possíveis destinações do material a ser coletado.

Ou seja: precisamos nos programar para alcançarmos excelência nestes fatores. O ideal é investir em um galpão de no mínimo 500m2 para acumular papel e papelão enfardado (que não pode tomar chuva como outros materiais), e uma prensa-enfardadora. Por questões financeiras, talvez não seja possível começar assim.

De qualquer maneira continuamos tendo que pensar no destino do lixo reciclável que vamos coletar. Deve haver sucateiros em sua cidade. Estes não são tão exigentes quanto as indústrias recicladoras e compram em menor quantidade, mas pagam bem menos. Eles são os atravessadores e quanto menor for o sucateiro, menos ele vai pagar. Cadastre-os. Faça uma pesquisa de quanto eles pagam por kg de material e veja se é possível começar assim. Cheque que materiais eles compram, para encontrar destino para tudo o que vocês pretendem coletar: papel e papelão, vidro, lata de alumínio, sucata ferrosa e plásticos (checar quais tipos são comprados pois são muitos os tipos. Desenvolver o artesanato com alguns tipos não comercialmente interessantes pode ser uma boa.

Outra coisa: quanto mais perto o destino do lixo reciclável, melhor, para evitar o aumento do custo do transporte do material. O custo do transporte é o grande vilão da coleta seletiva.

Faça contato com os catadores existentes. Talvez seja conveniente organizá-los em cooperativa ou associação. Os programas que existem em cidades brasileiras há mais de 5 anos são tocados pelas cooperativas, em sua totalidade. Esta prática tem originado um silencioso e belo movimento de inclusão social, já que os catadores são, eventualmente, pessoas que viviam na exclusão social, seja na adicção ou outras formas degradantes de marginalidade; e através do trabalho cooperativado tiram seus salários e recuperam seu lugar na sociedade.

Uma outra destinação importante na viabilização de pequenos projetos de implantação de coleta seletiva, tais como condomínios e escolas, são as instituições filantrópicas que já comercializam com algum atravessador o material reciclável que acumula. A doação será muito bem vinda e o objetivo principal que era evitar que este material fosse parar no aterro sanitário e fazer com que ele retorne para a linha de produção, economizando recursos naturais, será alcançado.

Se o seu objetivo é ter lucro isso é possível, desde que você tenha economia de escala lembrando sempre dos quatro fatores apresentados nestas informações básicas.

Não é fácil, mas é muito importante. Não desistam!

Fonte: Pólita Gonçalves

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